Descoberta do Brasil – 1500

Descoberta do Brasil

Descoberta ou descobrimento do Brasil refere-se, na historiografia luso-brasileira, à chegada da frota comandada por Pedro Álvares Cabral ao território denominado Ilha de Vera Cruz (terras que hoje compõem o território do Brasil), ocorrida no dia 22 de abril de 1500. Tal descoberta faz parte dos descobrimentos portugueses.

Embora quase exclusivamente utilizado em relação à viagem de Pedro Álvares Cabral, o termo “descoberta do Brasil” pode também aplicar-se à chegada da expedição do navegador e explorador espanhol Vicente Yáñez Pinzón, que atingiu o cabo de Santo Agostinho, promontório localizado no atual estado de Pernambuco, em 26 de janeiro de 1500. Trata-se da mais antiga viagem comprovada ao território brasileiro.

A nomenclatura deste evento histórico considera o ponto de vista dos povos do chamado “Velho Mundo”, que tinham registros na forma de História (escrita), e portanto se trata de uma concepção de História eurocentrada. Marca-se então o início de uma colonização portuguesa em territórios que posteriormente formaram o Brasil, por uma construção social, mais especificamente política.

 

Muitos estudiosos afirmam que o descobridor do Brasil foi o navegador espanhol Vicente Yáñez Pinzón, que no dia 26 de janeiro de 1500 desembarcou no cabo de Santo Agostinho, litoral sul de Pernambuco — esta considerada a mais antiga viagem comprovada ao território brasileiro.

A esquadra, composta por quatro caravelas, zarpou de Palos de la Frontera no dia 19 de novembro de 1499. Após cruzar a linha do Equador, Pinzón enfrentou uma forte tempestade, e então, no dia 26 de janeiro de 1500, avistou o cabo e ancorou suas naus num porto abrigado e de fácil acesso a pequenas embarcações, com 16 pés de fundo, segundo as indicações da sonda. O referido porto era a enseada de Suape, localizada na encosta sul do promontório, que a expedição espanhola denominou cabo de Santa María de la Consolación. A Espanha não reivindicou a descoberta, minuciosamente registrada por Pinzón e documentada por importantes cronistas da época como Pietro Martire d’Anghiera e Bartolomeu de las Casas, devido ao Tratado de Tordesilhas, assinado com Portugal.
Durante a noite após o desembarque, perceberam grandes fogueiras queimando à distância, na linha da costa à noroeste. Na manhã seguinte zarparam naquela direção até chegarem a um belo rio, batizado por Pinzón de “rio Formoso”. Na praia, às margens do rio, registrou-se um violento combate com os índios locais, pertencentes à tribo dos potiguaras. Rumando para o norte, Pinzón dobrou o cabo de São Roque, e atingiu em fevereiro o rio Amazonas, ao qual denominou Santa María de la Mar Dulce, de onde prosseguiu para as Guianas e, daí, para o mar do Caribe, voltando para a Espanha no dia 30 de setembro de 1500. O primo de Pinzón, Diego de Lepe, empreendeu uma viagem irmã, saindo de Palos ainda em 1499, vinte dias depois da partida da esquadra pinzoniana. Lepe chegou ao cabo de Santo Agostinho em fevereiro de 1500, porém navegou algumas milhas para o sul, observando que a costa se inclinava muito para o sudoeste, e então voltou, percorrendo em seguida a mesma trajetória de Pinzón.

O mapa de Juan de la Cosa, carta confeccionada no ano de 1500 a pedido dos primeiros reis da Espanha — conhecidos como Reis Católicos —, mostra a costa sul-americana enfeitada com bandeiras castelhanas do cabo da Vela (na atual Colômbia) até o extremo oriental do continente. Ali figura um texto que diz “Este cavo se descubrio en año de mily IIII X C IX por Castilla syendo descubridor vicentians” (“Este cabo foi descoberto em 1499 por Castela sendo o descobridor Vicente Yáñez”) e que muito provavelmente se refere à chegada de Pinzón em finais de janeiro de 1500 ao cabo de Santo Agostinho.
Mais para leste ainda, e separada do continente, aparece uma Ysla descubierta por portugal (“ilha descoberta por Portugal”) colorida em azul. Provavelmente, de la Cosa quis refletir assim a terra descoberta por Pedro Álvares Cabral em 1500 e que este batizara “Terra de Vera Cruz” ou “de Santa Cruz”. Os portugueses acreditavam tratar-se de uma ilha (Ilha de Vera Cruz) que estava entreposta no Atlântico, separando a Europa das Índias.

Em 30 de outubro de 1500, o rei Manuel I de Portugal casou-se com D. Maria de Aragão e Castela, filha dos Reis Católicos e irmã de sua primeira esposa D. Isabel (que morrera durante um difícil trabalho de parto), dando início a uma profunda ligação dinástica entre Portugal e Espanha. No ano seguinte, partiu de Lisboa a primeira expedição lusa de reconhecimento da costa brasileira, expedição esta confiada a Américo Vespúcio e comandada por Gonçalo Coelho. A armada avistou no dia 17 de agosto de 1501 o cabo de São Roque no atual Rio Grande do Norte, já descoberto por Pinzón (o cálculo de latitude era relativamente preciso à época, embora o de longitude fosse bastante defeituoso). Os portugueses seguiram em direção ao sul, percorrendo toda a costa leste do Brasil. Na altura de Santa Cruz Cabrália, depararam-se com dois degredados advindos da esquadra de Cabral, os quais resgataram. Constatariam então que Cabral descobrira não uma ilha, mas sim um trecho de litoral do novo continente. A frota singrou até o cabo de Santa Maria no atual Uruguai. A Coroa Espanhola enviaria mais tarde o navegador Juan Díaz de Solís numa expedição para conhecer as terras que cabiam à Espanha de acordo com o Tratado de Tordesilhas — cuja linha imaginária passava no litoral do atual estado de São Paulo, em Cananéia.

 

fonte: https://pt.wikipedia.org/

 

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